Tacógrafo: Cartão do Motorista, Símbolos e Tempos de Condução

Guia técnico VADEN sobre o tacógrafo em veículos comerciais pesados: tipos, cartão do motorista, símbolos do painel, tempos de condução e download de dados.

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Guias Técnicos de Veículos Pesados

Em um ponto de fiscalização na rodovia, o agente que para um cavalo mecânico não pede primeiro a carteira de habilitação do motorista, mas o cartão do tacógrafo. O cartão é retirado do leitor do tacógrafo e a tela do aparelho exibe o histórico de condução e descanso dos últimos dias. Mesmo que o motorista tenha passado horas ao volante, se os registros estiverem em ordem a fiscalização termina em poucos minutos; se houver lacunas nos registros, incompatibilidade de cartão ou avaria no lacre, o veículo pode ficar horas parado à beira da estrada e até ser proibido de circular. Este guia trata, com base na prática de campo, para que serve o tacógrafo em veículos comerciais pesados, os tipos de aparelho, o sistema de cartões, os símbolos do painel, a obrigatoriedade de download de dados e o que é verificado em uma fiscalização.

Este documento foi elaborado pela equipe técnica da VADEN para sistemas de tacógrafo em veículos comerciais pesados. As informações aqui apresentadas têm caráter de referência geral; para dados técnicos específicos do aparelho, o manual de serviço OE atualizado correspondente ao código de motor e chassi do veículo é a referência, e para conformidade regulatória, o Acordo AETR vigente e o conjunto de regulamentos pertinentes da União Europeia são a referência. Última atualização: agosto de 2026.

O Que É o Tacógrafo? Função e Princípio de Funcionamento

O tacógrafo é o dispositivo legal de registro que grava automaticamente o tempo de condução, a velocidade, a distância percorrida e os períodos de descanso do motorista em veículos comerciais pesados, operando com cartão do motorista e cartão da empresa. Os registros do tacógrafo tornam comprovável o histórico de condução em cavalos mecânicos, caminhões e ônibus; são usados pelas autoridades de fiscalização e na gestão de frotas para fins de segurança na condução e conformidade regulatória.

A função básica do tacógrafo é registrar três dados de forma simultânea e inalterável: a velocidade do veículo, a distância percorrida e o estado de atividade do motorista naquele momento. O estado de atividade se divide em um de quatro modos — condução, outro trabalho, disponibilidade e descanso/pausa. O motorista seleciona manualmente a transição entre os modos no próprio tacógrafo; quando o veículo entra em movimento, o aparelho ativa o modo de condução automaticamente.

Quais são os principais componentes do tacógrafo?

  • Unidade veicular: É o próprio tacógrafo; fica no painel de instrumentos ou no console, processa o sinal vindo do sensor de velocidade e grava os dados na própria memória e no(s) cartão(ões) inserido(s).
  • Sensor de velocidade: Unidade conectada à saída da transmissão ou ao cubo de roda, que converte o movimento rotativo em sinal eletrônico; é pareada de forma criptografada com a unidade veicular.
  • Leitores de cartão: São os slots onde são inseridos o cartão do motorista e, se houver, do segundo motorista; sem o cartão reconhecido, o aparelho passa para o modo de registro sem identificação.
  • Antena GNSS (no tacógrafo inteligente): Receptor de satélite que determina a posição do veículo em intervalos definidos.
  • Impressora (quando presente): Unidade que permite imprimir o resumo de condução em papel quando solicitado em fiscalização; nem todos os modelos possuem.

Por que o tacógrafo é obrigatório em veículos comerciais pesados?

O uso do tacógrafo em veículos comerciais pesados é tratado, no transporte internacional, no âmbito do Acordo AETR (Acordo Europeu relativo ao Trabalho das Tripulações de Veículos que Efetuam Transportes Internacionais Rodoviários) e do conjunto de regulamentos da União Europeia que disciplina os tempos de condução e descanso e os aparelhos de tacógrafo. Na Turquia, a legislação de transporte rodoviário também estabelece a obrigatoriedade de possuir e utilizar tacógrafo para veículos a partir de determinado peso e capacidade de passageiros. A categoria em que o veículo se enquadra e qual regulamentação se aplica variam conforme o tipo de transporte (nacional/internacional) e a classe de registro do veículo; na prática, deve-se seguir a legislação vigente atualizada.

A interferência física ou eletrônica no registro do tacógrafo (distorção de sinal com ímã, uso de bloqueador de sinal GPS/GNSS, compartilhamento de cartão, violação de lacre) tem consequência muito mais grave do que simplesmente ocultar uma infração de tempo de condução; em muitos países, além da multa administrativa, o veículo pode ser proibido de circular e pode haver investigação criminal. Um veículo com o lacre do tacógrafo rompido ou danificado é considerado em não conformidade na fiscalização até que o lacre seja renovado e o aparelho recalibrado.

Qual é a diferença entre tacógrafo analógico, digital e inteligente?

O tacógrafo analógico registra os dados de condução gravando-os com uma agulha em um disco de papel diário (disco de tacógrafo); o disco é trocado a cada 24 horas e guardado fisicamente pelo motorista. No sistema analógico, o dado permanece no papel, não pode ser baixado eletronicamente e é o próprio disco que é apresentado na fiscalização. Ainda pode estar em uso em veículos de gerações mais antigas, mas deixou de ser instalado em veículos com nova homologação de tipo.

O tacógrafo digital transfere o meio de registro do disco de papel para a memória eletrônica. Os dados são gravados simultaneamente na memória da própria unidade veicular e no chip do cartão do motorista inserido; a necessidade de trocar disco desaparece. No tacógrafo digital, os registros são protegidos por assinatura digital e só podem ser baixados por leitores autorizados; isso aumenta consideravelmente a integridade dos registros em comparação com o disco analógico.

O tacógrafo inteligente (smart tachograph) acrescenta ao tacógrafo digital a capacidade de posicionamento por satélite (GNSS) e de comunicação sem fio de curto alcance. O tacógrafo inteligente registra automaticamente a posição do veículo em intervalos definidos e permite que as equipes de fiscalização acessem dados básicos à distância, à beira da estrada, sem precisar parar o veículo. Em veículos comerciais pesados com nova homologação de tipo, o uso do tacógrafo inteligente tornou-se obrigatório de forma gradual no mercado europeu; qual geração se aplica a qual veículo varia conforme a data do primeiro registro do veículo.

Para que servem o cartão do motorista e o cartão da empresa?

O sistema de tacógrafo opera com quatro tipos diferentes de cartão, e cada cartão representa uma autorização distinta:

  • Cartão do motorista: É atribuído pessoalmente ao motorista e armazena os dados de identificação e o histórico de condução/descanso dos últimos dias. Quando o cartão não está inserido, o tacógrafo registra a atividade do motorista de forma anônima; essa situação é questionada à parte em fiscalização.
  • Cartão da empresa: Pertence à transportadora e permite baixar dados dos veículos da empresa, além de bloquear/desbloquear os registros baixados em nome da empresa. O cartão da empresa não é usado para conduzir, serve apenas para acesso e gestão de dados.
  • Cartão de oficina (serviço): É atribuído a oficinas de calibração autorizadas; a calibração do tacógrafo, a entrada de parâmetros e a lacração só podem ser feitas com esse cartão.
  • Cartão de fiscalização (controle): Pertence aos agentes que realizam fiscalização de estrada e de empresa; é usado para ler, baixar e visualizar dados da unidade veicular e do cartão do motorista.
O pedido de renovação do cartão do motorista deve ser feito antes do vencimento da validade, dentro do prazo previsto na legislação; não é admitida a condução com cartão vencido nem sem cartão. Na exceção de duração limitada, aplicável apenas em caso de perda, roubo, danificação ou falha do cartão, é necessário emitir uma impressão do tacógrafo no início e no fim da condução, assinada pelo motorista; para prazos e condições exatos, prevalece a legislação em vigor. Em trajetos longos, marcar no calendário a data de validade do cartão evita a necessidade de renová-lo no meio do percurso.

O que significam os símbolos do painel e os avisos do tacógrafo?

A tela e o painel do tacógrafo mostram os modos de atividade do motorista e o estado do sistema por meio de símbolos padronizados. O modo de condução costuma ser representado por um símbolo de volante ou de veículo, o descanso/pausa por um símbolo de cama, a disponibilidade por um retângulo horizontal, e o outro trabalho por dois martelos cruzados. O motorista é obrigado a selecionar manualmente o símbolo correspondente no tacógrafo no início do turno e a cada mudança de modo; quando o veículo entra em movimento, o sistema ativa o símbolo de condução automaticamente.

Além dos símbolos, o aparelho comunica o resultado da sua autoverificação por meio de ícones de aviso. A tabela a seguir resume os avisos de tacógrafo mais comuns em campo, suas possíveis causas e a verificação a ser feita.

Símbolos de aviso do tacógrafo e possíveis causas
Aviso / sintomaCausa provávelVerificação / confirmação
Aviso de cartão (símbolo de cartão piscando)Cartão do motorista não inserido, inserido ao contrário ou chip do cartão danificadoVerifique se o cartão está no sentido correto e totalmente encaixado; limpe o chip do cartão e teste em outro leitor
Aviso de interrupção de energiaAlimentação elétrica do tacógrafo foi cortada ou houve tentativa de corteVerifique o fusível e a linha de alimentação; se houver registro repetido de interrupção, comunique a uma oficina autorizada
Aviso de sensor de velocidadeSinal do sensor interrompido, cabo do sensor danificado ou pareamento sensor-unidade veicular desfeitoVerifique a conexão do sensor e o chicote de cabos; problemas de pareamento só podem ser resolvidos por oficina autorizada
Aviso de detecção de movimento (movimento sem cartão)O veículo se movimentou sem o cartão do motorista inseridoCertifique-se de que o cartão foi inserido no início do turno; se persistir, pode haver falha no leitor de cartão
Aviso de lacre/segurançaLacre do tacógrafo rompido ou tentativa de violação do aparelhoLeve o veículo imediatamente a uma oficina autorizada; não continue circulando com o veículo sem lacre
Aviso de memória cheia / download de dadosA memória da unidade veicular está se aproximando do prazo legal de retençãoPlaneje o download dos dados com o cartão da empresa; registros antigos não baixados podem ser sobrescritos
Os avisos de interrupção de energia e de lacre indicam mais uma possível interferência no aparelho do que um erro do motorista, e são questionados à parte em fiscalização. Assim que o aviso aparecer na tela, não se deve esperar que ele desapareça sozinho; deve-se registrar a ocorrência e comunicar à oficina autorizada o quanto antes.

Como são registrados os tempos de condução e descanso?

O tacógrafo registra continuamente a atividade do motorista nos quatro modos descritos acima, e o registro é gravado simultaneamente no cartão do motorista e na memória da unidade veicular. O tempo de condução é o período em que o veículo está em movimento; os tempos de pausa e descanso abrangem os períodos em que o motorista fica efetivamente afastado do volante, dedicados ao descanso. Fazer uma pausa após um determinado tempo contínuo de condução e respeitar os descansos diário e semanal em dias consecutivos de condução constam, como regra geral, no Acordo AETR e na regulamentação da União Europeia sobre tempos de condução e descanso; como os prazos exatos e as regras de exceção podem variar conforme o tipo de transporte, deve-se seguir a legislação vigente atualizada.

O tacógrafo não impede as infrações de tempo por si só; apenas as registra e avisa o motorista com a informação do tempo restante na tela. A avaliação final sobre se houve ou não infração cabe à autoridade de fiscalização ou ao responsável de conformidade da empresa. Nas transportadoras, a análise regular dos registros do tacógrafo permite identificar tendências de infração antes de dar o retorno ao motorista.

Quando os dados do tacógrafo devem ser baixados? Obrigatoriedade de download de dados

Baixar os dados do tacógrafo em intervalos regulares é tanto uma obrigação legal quanto uma prática de manutenção que evita a perda de registros. A abordagem geral amplamente adotada na prática europeia é baixar os dados do cartão do motorista em um determinado intervalo de dias (referência comum de aproximadamente 28 dias) e os dados da unidade veicular (mass memory) em um intervalo mais longo (referência comum de aproximadamente 90 dias). Esses prazos podem variar conforme a legislação vigente e o tipo de transporte; para o prazo exato a ser seguido pela empresa, deve-se consultar a regulamentação atualizada.

Se a memória ficar cheia antes do download dos dados, surge o risco de os registros antigos serem sobrescritos por novos registros; nesse caso, dados de período anterior solicitados em fiscalização não podem ser apresentados. O download feito com o cartão da empresa é realizado separadamente para a unidade veicular e para o cartão do motorista, e os dados baixados são armazenados em um ambiente seguro definido pela empresa, pelo prazo previsto na legislação.

Antes de sair para um trajeto longo, verificar a data do último download de dados tanto do cartão do motorista quanto da unidade veicular evita deparar-se com um aviso de memória cheia no meio do caminho. Na gestão de frota, vincular o download de dados a um calendário produz resultado muito mais confiável do que o acompanhamento veículo por veículo.

Como baixar os dados do tacógrafo? Passo a passo

  1. Pare o veículo em um local seguro e nivelado; mantenha a ignição ligada e certifique-se de que o tacógrafo está em funcionamento.
  2. Insira o cartão da empresa no slot apropriado do tacógrafo. Aguarde o cartão ser reconhecido; a tela deve exibir o nome da empresa ou os dados do cartão.
  3. No menu do aparelho, selecione "download de dados" ou a função equivalente; em muitos modelos, essa operação exige a conexão de um pendrive USB ou de um dispositivo de download externo.
  4. Selecione o escopo dos dados a baixar: memória da unidade veicular, cartão do motorista inserido, ou ambos.
  5. Inicie o download e não remova o cartão nem o pendrive USB até a conclusão; se o processo for interrompido no meio, a integridade dos dados pode ser comprometida.
  6. Ao concluir o download, verifique a confirmação na tela ou no dispositivo conectado; se aparecer mensagem de falha, repita o processo.
  7. Transfira o arquivo baixado para o sistema de gestão de dados da empresa, identificando-o com a data e a placa do veículo.
  8. Se o cartão do motorista também precisar ser baixado, repita os mesmos passos para o cartão do motorista; os dados da unidade veicular e do cartão do motorista são salvos como arquivos separados.
  9. Antes de retirar o cartão da empresa, certifique-se de que o download foi concluído e de que o estado de bloqueio/desbloqueio do cartão está configurado corretamente.
  10. Arquive os dados baixados de forma inalterável pelo prazo previsto na legislação e mantenha-os acessíveis para apresentação à autoridade de fiscalização quando necessário.
  11. Se for utilizado software de análise, revise os dados baixados quanto a infrações de tempo, registros incompletos ou incompatibilidade de cartão, e converse com o motorista correspondente caso haja alguma discrepância.

Pontos de Atenção (erros comuns)

  • Dirigir sem o cartão: A condução realizada sem o cartão do motorista inserido é registrada de forma anônima e exige explicação em fiscalização; mesmo o esquecimento pode ser considerado infração.
  • Não fazer a troca de modo manualmente: Não colocar manualmente o modo em "outro trabalho" ou "disponibilidade" durante atividades fora da condução (carga, espera, manutenção) faz com que o tempo seja registrado automaticamente como tempo de condução.
  • Adiar o download de dados: Quando o prazo determinado é ultrapassado, a memória fica cheia e os registros antigos são sobrescritos, causando a perda irrecuperável dos dados do período anterior.
  • Compartilhar o cartão: O uso do cartão do motorista por outro motorista compromete a integridade do registro e constitui infração sujeita a sanção grave em fiscalização.
  • Ignorar avaria no lacre: Continuar circulando com o lacre rompido ou danificado torna a validade dos registros questionável, mesmo que o aparelho funcione tecnicamente.
  • Usar bloqueador de sinal ou interferência magnética: Qualquer interferência voltada a distorcer o sinal do sensor de velocidade é considerada agravante em processos de responsabilidade por acidente e em processos penais.
  • Ajustar incorretamente o relógio do tacógrafo: Não atualizar o horário nas mudanças de fuso horário ou de horário de verão gera inconsistência entre os registros e o horário real, exigindo explicação em fiscalização.

O que é verificado no tacógrafo durante a fiscalização?

Na fiscalização de estrada, o agente verifica primeiro a compatibilidade do cartão do motorista com o veículo e com o motorista, e em seguida o estado de atividade atual na tela do tacógrafo. Com o cartão de fiscalização, são baixados dados de um determinado período anterior da unidade veicular e do cartão do motorista, e é examinado se há infração de tempo de condução e descanso, incompatibilidade de cartão ou lacuna nos registros. A integridade dos lacres, a legibilidade da placa de calibração no aparelho e a compatibilidade das informações da placa com os dados do veículo também fazem parte padrão da fiscalização.

Na fiscalização da empresa, o escopo é mais amplo: são examinados o sistema de download e arquivamento de dados da empresa, a consistência entre as escalas de trabalho dos motoristas e os registros do tacógrafo, e os processos de gestão de cartões. Em veículos com suspeita de manipulação, o sinal do sensor de velocidade, os dados de GNSS (no tacógrafo inteligente) e o registro de eventos da unidade veicular são comparados de forma cruzada em busca de indícios de interferência.

As infrações identificadas na fiscalização do tacógrafo podem responsabilizar não apenas o motorista, mas também o proprietário da empresa; em muitos países, a falta de supervisão da empresa sobre a escala de trabalho dos motoristas é objeto de sanção administrativa à parte. Verificar previamente a validade do cartão, a integridade do lacre e a atualização do download de dados reduz consideravelmente o tempo perdido em uma fiscalização de estrada.

Valores técnicos e pontos de verificação do tacógrafo (referência geral)

A tabela a seguir resume, como referência geral, os principais valores mais consultados em campo no sistema de tacógrafo. Os valores exatos variam conforme o modelo do aparelho, o tipo de veículo e a legislação vigente; na prática, deve-se seguir o manual de serviço OE do veículo e a regulamentação atualizada.

Pontos de verificação do sistema de tacógrafo (referência geral)
Ponto de verificaçãoReferência geralO que indica um desvio
Periodicidade de calibraçãoComo referência geral, a cada poucos anos (segue-se o OE/a legislação)Se o prazo for ultrapassado, o aparelho pode ser considerado em não conformidade na fiscalização
Validade do cartão do motoristaDa ordem de alguns anos, impressa no próprio cartãoSe vencida, o cartão é inválido e precisa ser renovado
Intervalo de download do cartão do motoristaReferência comum de aproximadamente 28 dias (varia conforme a legislação)Se ultrapassado, a memória pode encher e aumenta o risco de perda de dados
Intervalo de download da unidade veicularReferência comum de aproximadamente 90 dias (varia conforme a legislação)Se ultrapassado, registros antigos podem ser sobrescritos
Tempo de retenção da memória da unidade veicularDa ordem de pelo menos um ano (varia conforme o tipo de aparelho)Retenção curta leva à falta de dados em fiscalização retroativa
Número e posição dos lacresVaria conforme o veículo e o ponto de conexão do sensorLacre ausente ou danificado: suspeita de interferência não autorizada
Sinal do sensor de velocidade (valor w)Registrado na placa de calibração, específico para cada veículoValor incompatível com a placa: erro de pareamento ou de sensor

Qual é a manutenção do tacógrafo e a periodicidade de calibração?

O fator mais importante que determina a confiabilidade do tacógrafo é a calibração periódica. A calibração garante que os dados de velocidade e distância registrados pelo aparelho permaneçam compatíveis com o giro real das rodas do veículo; a calibração precisa ser renovada após mudança de medida do pneu, mudança de relação de eixo ou troca do sensor de velocidade. A calibração só pode ser realizada em oficinas que possuam o cartão de oficina autorizado, e ao final do processo o aparelho é lacrado novamente.

A integridade do lacre é tão importante quanto a calibração; o rompimento do lacre é a única prova concreta de que o aparelho foi aberto após a última intervenção autorizada. Em serviços elétricos e de chassi no veículo, não intervir nos pontos lacrados do tacógrafo (conector do sensor de velocidade, corpo da unidade veicular) evita a repetição desnecessária da calibração.

As atualizações de software também fazem parte da manutenção; para se adequar a mudanças na legislação, o fabricante atualiza periodicamente o software da unidade veicular. Nas transportadoras, manter a precisão do relógio do tacógrafo, a legibilidade da tela e o funcionamento da impressora (quando presente) são verificações práticas que devem constar na lista de manutenção periódica.

Qual é o papel do tacógrafo na cadeia de conformidade e segurança do veículo comercial pesado?

O tacógrafo funciona de forma independente dos sistemas mecânicos do veículo, mas é uma camada tão crítica para a segurança da frota quanto os sistemas de freio, motor e carga: mantém o registro visível da fadiga do motorista, do tempo excessivo de condução e de uma rotina de trabalho em desacordo com a legislação. A VADEN ORIGINAL elaborou este guia como parte de sua biblioteca de conhecimento técnico, com o objetivo de ajudar operadores de veículos comerciais pesados e equipes de serviço a compreender corretamente o sistema de tacógrafo e a incorporar a gestão de cartões e a disciplina de download de dados à rotina da empresa. A biblioteca de guias técnicos VADEN também conta com guias específicos de falha, substituição e manutenção para o sistema de freio a ar, ABS/EBS, motor e componentes de transmissão; os registros do tacógrafo também podem ser considerados uma fonte de informação complementar para entender a intensidade de uso e o padrão de condução desses sistemas mecânicos.

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Perguntas frequentes

O que é o tacógrafo e para que serve?
O tacógrafo é o dispositivo legal de registro que grava automaticamente o tempo de condução, a velocidade, a distância percorrida e os períodos de descanso do motorista em veículos comerciais pesados. Os registros são usados pelas autoridades de fiscalização para verificar a conformidade dos tempos de condução e descanso, e pelas empresas na gestão de frotas.
Qual é a diferença entre tacógrafo analógico e digital?
O tacógrafo analógico registra os dados gravando-os com uma agulha em um disco de papel diário, e o disco é guardado fisicamente. Já o tacógrafo digital grava os dados simultaneamente na memória eletrônica e no cartão do motorista; os registros são protegidos por assinatura digital e só podem ser baixados por leitores autorizados.
O que o tacógrafo inteligente (smart tachograph) faz de diferente dos outros?
O tacógrafo inteligente acrescenta ao tacógrafo digital o posicionamento por satélite (GNSS) e a comunicação sem fio de curto alcance; registra automaticamente a posição do veículo em intervalos definidos e permite que as equipes de fiscalização acessem dados básicos à distância, sem precisar parar o veículo.
O que fazer se o cartão do motorista for perdido?
A perda ou o defeito do cartão deve ser comunicado imediatamente ao órgão competente, com o respectivo pedido de renovação. As regras temporárias de trabalho válidas até a renovação do cartão variam conforme a legislação de cada país; nesse período, pode ser necessário documentar os registros de condução manualmente ou por método alternativo oferecido pelo aparelho.
Qual é a diferença entre o cartão da empresa e o cartão do motorista?
O cartão do motorista é atribuído ao motorista para registrar a atividade de condução e permanece inserido no veículo durante a condução. Já o cartão da empresa não é usado para conduzir; é um cartão de gestão que permite à empresa baixar dados da unidade veicular e bloquear/desbloquear os dados baixados.
De quantos em quantos dias os dados do tacógrafo devem ser baixados?
Como referência geral, os dados do cartão do motorista são baixados a cada aproximadamente 28 dias, e os dados da unidade veicular a cada aproximadamente 90 dias; como os prazos exatos podem variar conforme a legislação vigente, deve-se seguir a regulamentação atualizada. Quando o prazo é ultrapassado, surge o risco de a memória encher e os registros antigos serem sobrescritos.
Com que frequência deve ser feita a calibração do tacógrafo?
A calibração é feita periodicamente por oficina autorizada, no intervalo definido pelo fabricante e pela legislação vigente; também é necessário renovar a calibração em caso de mudança de medida do pneu, de relação de eixo ou de sensor de velocidade. Para a periodicidade exata, deve-se seguir o manual de serviço OE do veículo e a legislação atualizada.
Qual é a consequência de manipular o tacógrafo?
Interferências como distorcer o sinal do sensor de velocidade, usar bloqueador de sinal ou compartilhar cartão constituem infração grave à legislação; em muitos países, além da multa administrativa, pode haver proibição de circulação do veículo e investigação criminal. A avaria no lacre também é avaliada como não conformidade à parte na fiscalização.
É possível usar o veículo com o tacógrafo com defeito?
Continuar dirigindo com o tacógrafo com defeito não é aceito, salvo exceções limitadas previstas na legislação conforme a natureza do defeito; ao perceber o defeito, deve-se procurar uma oficina autorizada o quanto antes e documentar os registros de condução durante o período de defeito por método alternativo (como registro manual). Em fiscalização, um tacógrafo com defeito e não reparado é tratado como não conformidade.
Quais são os erros mais comuns detectados no tacógrafo em fiscalização?
Os achados mais frequentes em campo são condução sem o cartão inserido, troca de modo não feita manualmente, atraso no download de dados, avaria no lacre e prazo de calibração ultrapassado. A maior parte desses erros pode ser evitada com disciplina de download regular de dados e de gestão de cartões na empresa.

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